Comunidade Crie Futuros

Comunidade e Atividades do Movimento Crie Futuros

Desde os mais remotos tempos muitas espécies de animais e  vegetais são utilizados como indicadores da qualidade do meio ambiente onde os seres humanos vivem. Muitas pessoas conhecem o fato de mineiros de minas de carvão levarem aves para  os túneis como um primeiro sinal de alerta sobre possíveis gases tóxicos. Alguns peixes, quando desaparecem de determinadas áreas, é um sinal que a qualidade da água está muito ruim, faltando oxigênio dissolvido.

A partir da década de 1980 muitos pesquisadores começaram a usar de forma sistemática outras espécies como indicadores da qualidade ambiental de diferentes ambientes. Essas espécies receberam o nome de bio-indicadores.

A ONU instituiu 2010 como o Ano  Internacional da Biodiversidade, para chamar a atenção das autoridades dos países, das sociedades e  do público em geral da importância da existência de diferentes espécies no planeta, para sua sobrevivência e também equilíbrio.

Essas espécies bio-indicadoras são importantes para o conjunto dos seres vivos, pois elas conseguem indicar, de forma eficiente e rápida, o início de algum problema que pode se transformar em poluição e mesmo em contaminação humana.

É o caso das abelhas que produzem mel. Em duas pesquisas diferentes, uma na Unesp campus de Bauru/SP e outra na Universidade de Berlin, na Alemanha, esses insetos que desde a antiguidade fornecem mel e ouros produtos  para o Homem estão sendo usados para a detecção de problemas ambientais.

Em Bauru a pesquisa (desde 2008) está sendo realizada no entorno da cidade, e após seis meses ocorreu a primeira coleta do mel que passou por um processo de amostragem e análise de seus diferentes  componentes. O objetivo foi detectar a presença,no mel, de substâncias químicas existentes nos produtos usados na agricultura, os pesticidas.    

Foi encontrado, nas duas séries de análises (de 2008), com espaço de tempo de 6 meses, vários pesticidas das classes dos organoalogenados, dos organofosforados e piretróides. Essas substâncias podem trazer danos não só as próprias abelhas (morte de colméias e produção de pouco  ou nenhum mel) como para a contaminação das pessoas que vivem nesse entorno, causando contaminação e diferentes doenças.

No caso da Alemanha, os pesquisadores colocaram uma série de colméias ao redor de diferentes aeroportos, que são locais onde há uma grande presença de substâncias potencialmente tóxicas,  oriundas principalmente dos combustíveis de aviação. As primeiras análises dessas pesquisas alemãs, num prazo de um ano (duas séries de 6 meses cada no ano de 2009) não  apresentaram concentrações significativas de substâncias tóxicas no mel produzido pelas abelhas, mas para algumas substâncias há a necessidade de mais estudos e principalmente tempo para a detecção no mel.

O que queremos mostrar, com esses trabalhos de pesquisa, é a importância da existência da diversidade biológica de espécies, que são fundamentais para a manutenção do equilíbrio do próprio planeta.

Quem é mais velho com certeza tem na lembrança a presença, por exemplo, dos vaga-lumes nas noites quentes, batendo nas luzes das varandas das casas. Mesmo o coaxar dos sapos e rãs nas várzeas e lagoas, que povoavam nossas noites de verão.

Esses exemplos, e muitos outros, são de espécies que hoje são cada vezes mais raras, e que parecem não ter importância, mas que na verdade são fundamentais para o equilíbrio da vida, seja nas cidades, seja no campo.

 Muitas doenças que nas últimas décadas estão invadindo nossas áreas urbanas são resultado do aumento  significativo de espécies que chamamos de  vetores e que transmitem as doenças para nós humanos. A falta de predadores acaba gerando as doenças, que temos dificuldade de  atacar. 

É importante perceber que o desmatamento, a poluição das águas, o lixo jogado em locais errados, e muitas coisas que fazemos no dia a dia, em nossas próprias casas, acabam favorecendo o aumento de espécies que causam danos   a nossa  própria saúde. Somos, por assim dizer, culpados pelo nosso próprio adoecimento, e responsáveis  pela falta da  diversidade biológica.

Por fim, espécies  podem ser utilizadas pelo próprio Homem, como as abelhas, não só como bio-indicadores, mas para a produção do saboroso mel, do própolis (com indicações  medicinais) e de outros  produtos,  além da própria polinização, fundamental para outras espécies poderem existir.

E nós  estamos  destruindo tudo isso. Precisamos pensar um pouco mais no que estamos fazendo com a nossa própria casa, o Planeta Terra.

 

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